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| Introdução |
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O forró,
assim como o samba, possuem as mesmas
raízes, ou seja, ambos se originaram da
mistura de influências africanas e européias.
"Na música nordestina, um toque indígena,
uma pitada européia, um tempero africano;
é só degustar..." já citava um dos especialistas
no assunto.
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O batuque - dança de roda com que os africanos
mostravam a sua cultura - foi o tronco principal
no que diz respeito à formação da música popular
no Brasil. Dele surgiram diversas variações que
se espalharam tanto
em áreas urbanas quanto rurais sob vários nomes
e estilos próprios conforme a região do país. |
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| Origem
da palavra |
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A origem do forró
é controversa. É certo que o ritmo nasceu no
Nordeste e foi apresentado ao Sul do país por
Luiz Gonzaga nos anos 40. Mas quando, onde e
como ele apareceu lá no sertão ainda é, de certo
modo, um mistério que vem dividindo muitos estudiosos
e músicos.
Há a versão mais popular de sua origem. For
All Para Todos: a de que o nome viria dos dizeres
"For All" (em inglês "para todos"). A frase
vinha escrita nas portas dos bailes promovidos
pelos ingleses em Pernambuco, no início do século,
quando eles vieram para cá construir ferrovias.
Se a placa estivesse lá era sinal de que todos
podiam entrar na festa, regada a ritmos dançantes
que prenunciavam o forró de hoje, essa era a
versão defendida por Luiz gonzaga. Nestes bailes
tocavam todos os tipos de música e também o
ritmo precursor do forró atual.
A segunda versão é dada pelo historiador e pesquisador
da cultura popular Luís da Câmara Cascudo, que
diz que a origem é o termo africano "forrobodó",
que significaria festa, bagunça. Em alguns povoados
pequenos do país (como na Ilha Grande- RJ ou
na Ilha do Mel- PR) forró significa bailão popular
ou arrasta pé, onde se dança de tudo.
"Escrevi a música For All Para Todos, que foi
título de um disco meu, quando ouvi uma entrevista
de Luiz Gonzaga e Sivuca na TV, na qual eles
contavam essa história da origem do forró",
conta Geraldo Azevedo, nascido num distrito
de Petrolina, no sertão pernambucano, e com
muitos forrós compostos em seus 25 anos de carreira
fonográfica. Porém, logo uma corrente contrária
se manifestou: "Na época, houve protesto de
muitas pessoas", diz Geraldo. "O pesquisador
Câmara Cascudo me escreveu uma carta dizendo
que a história de Gonzagão não tinha fundamento,
pois a palavra forró vinha de forrobodó, expressão
que em dialeto africano significa festa, bagunça".
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| Gonzagão,
o pioneiro |
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Controvérsias
à parte, quase todo mundo concorda que
sem Luiz Gonzaga, o forró não estaria
hoje aí nos bailes de todo o Brasil como
a última moda musical. O Velho Lula nasceu
em Exu, sertão pernambucano, em dezembro
de 1912. Filho do sanfoneiro Januário,
que animava os bailes da cidade
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nos finais de semana, desde pequeno ele tomou
familiaridade com o instrumento. E, em todos
os lugares aonde ia, Gonzaga procurava experimentar
o acordeon ou a zabumba e estava sempre junto
aos músicos. Depois
de uma briga com a mãe, aos 18 anos, ele resolveu
ganhar o mundo. Foi para o Ceará, onde entrou
para o Exército e virou cabo corneteiro. Dali
andou mais um pouco,..chegou
em São Paulo e, finalmente, fixou-se no Rio
de Janeiro, disposto a tentar carreira de músico
no rádio. Antes de se inscrever no programa
de Ary Barroso, em 1941, com a canção Vira e
Mexe, com a qual tiraria o primeiro prêmio e
seria contratado pela Rádio Nacional, ele tocou
em prostíbulos e bares de pouca categoria. A
música nordestina de Luiz Gonzaga sofreu preconceito
no início.
O diretor artístico da rádio nacional não o
deixava sequer usar o chapéu de couro e a roupa
de cangaceiro que fariam parte de seu visual
durante toda a carreira no futuro. Porém, mais
ou menos como vem acontecendo hoje em São Paulo
e em outros centros, o forró foi conquistando
o grande público, deixando de ser só uma música
para saudoso migrantes nordestinos ou pessoas
de classe social inferior.
E o modo poético como Gonzagão cantava sua vivência
dura de sertanejo, as tristezas e — por que
não? — as doçuras da vida nordestina tão esquecida
pelo resto do Brasil, foi entrando devagarzinho
no coração de todo o país que, na época, encantava-se
mais com os musicais vindos de Hollywood. Quase
sessenta anos depois, com a nova onda do forró,
nada mais justo que ver a música do Velho Lula,
ser presença obrigatória nas casas noturnas
de todo o país. E admirada por tantos adolescentes.
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| Algumas
ramificações do forró |
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como dança e música: baião, xote, xaxado, coco,
vanerão, quadrilhas juninas ...
- como música: forró malícia (principal representante
é Genival Lacerda), lambaforró, oxentemusic
A primeira Música: Consta como sendo "Baião"-
(1946) de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, porém
podem haver gravações anteriores |
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| Como
sugiram os ritimos que compões o forró |
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O
baião: sua origem remonta ao século
XIX, no nordeste do país, mas faltam informações
precisas para esse início. Segundo alguns,
a palavra vem de " baiano". O baião veio
do lundu e era dançado em roda; um dos
presentes intimava os outros a dançar
por meio de umbigadas e toques de castanholas.
A popularização do ritmo se deu mesmo
a
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partir
da década de 40, com Luiz Gonzaga, pernambucano
que veio para o Rio de Janeiro e gravou inúmeras
músicas, que falavam do cotidiano nordestino.
Esse tipo de
baião cantado sofreu influências de outros ritmos,
como o samba e a conga. Nos anos 70, Gil e Caetano
com o tropicalismo e interesse em resgatar os
ritmos genuinamente brasileiros deram
nova força ao baião. O baião apresenta diferenças
regionais e de época. Existe o baião de Pernambuco,
que é o tradicional, tocado com sanfona, triângulo
e zabumba, cujos maiores representantes são
Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Já o baião de Fortaleza
(grupo Mastruz com Leite) incorporou instrumentos
mais modernos, como guitarra e bateria.
O xote: ritmo de origem européia que
surgiu dos salões aristocráticos da época da
Regência - final do séc XIX. Conhecido originalmente
com o nome schottisch, dominou no período do
Segundo Reinado incorporando-se depois às funções
populares urbanas, passando a ficar conhecido
como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões
urbanos para incorporar-se às regiões rurais,
onde muitas vezes aparece com outras denominações.
O xaxado: o nome provém do som que os
sapatos faziam no chão ao se dançar; é uma dança
do agreste e sertão pernambucano, bailada somente
por homens, que remonta da década de 20. O acompanhamento
era puramente vocal, melodia simples, ritmo
ligeiro, e letra agressiva e satírica. Tornou-se
popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião.
O coco: dança de roda do norte e nordeste
do Brasil, fusão da musicalidade negra e cabocla.
Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí
a sua designação. O ritmo sofreu várias alterações
com o aparecimento do baião nas caatingas e
agreste. Como compositor que popularizou o ritmo
podemos citar Jackson do Pandeiro.
O vanerão: é o forró dançado no sul do
país. Caracteriza-se por ser uma dança em que
os pares giram pelo salão com imensa mobilidade
e rapidez.
As quadrilhas juninas: são de natureza rural,
da tradição européia, do culto ao fogo, anteriores
ao cristianismo. A Igreja Cristã adaptou a festa
de São João para absorver os cultos agrários
pagãos. No Brasil a festa é acompanhada de muita
música e dança: a quadrilha (dança das Cortes
européias), o baião, o xote entre outros.
Atualmente o forró está sofrendo alterações
em relação ao seu perfil original com o surgimento
de novos grupos musicais e o sucesso que está
fazendo entre os jovens. "A maioria destes grupos
se formou após a febre da lambada, e a música
que eles fazem é chamada de lambaforró ou oxentemusic.
A dança também se modificou, assimilando passos
da lambada (principalmente os giros)" afirma
Dominguinhos.
Diz, ainda, "que da mesma forma que o pagode
ressuscitou sambistas antigos, como Martinho
da Vila e Paulinho da Viola, os novos grupos
de forró estão ajudando a divulgar o ritmo e
suscitar interesse nos velhos mestres, como
ele e Gonzagão". Podemos concluir, portanto,
que o forró é um caldeirão de culturas de várias
épocas e regiões que vai se modificando e se
adaptando a cada geração.
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